Se me perguntassem, sem dúvida alguma, a resposta seria: sim, já estive na África. Outrora, já havia pisado em alguns países do continente africano como: Egito, Marrocos, Argélia, Tunísia e África do Sul. Mas, ao finalizar essa autêntica jornada pela Tanzânia, refaço a frase a plenos pulmões e a reafirmo: AGORA SIM! ESTIVE NA ÁFRICA, pelo menos na África que eu sempre imaginei.
Nossa jornada começou há mais de um ano, quando, durante um churrasco de domingo, a Tia Paula soltou: “Johnny, quero muito fazer um safári top.”
Sem hesitar, respondi na hora: “Tanzânia é o lugar, titia!”
Foi aí que nasceu a ideia em um domingo qualquer!
A Tanzânia é um país da África Oriental conhecido por suas vastas áreas selvagens, como as planícies do Parque Nacional do Serengeti, uma das mecas dos safáris, habitadas pelos “big five”: elefante, leão, leopardo, búfalo e rinoceronte. Outros destaques são o Parque Nacional do Kilimanjaro, onde está localizada a montanha mais alta da África, e a Cratera Ngorongoro. No litoral, encontram-se as ilhas de Zanzibar com forte influência árabe e de Mafia, que abriga um parque marinho com tubarões-baleia e recifes de corais.




Optamos pelas melhores conexões e pela rota mais curta: embarcamos de Ethiopian Airlines via Addis Abeba com conexão direta para Kilimanjaro, principal aeroporto da região de Arusha, porta de entrada para os safáris. Apesar da aeronave antiga, os voos foram ótimos. (Você também pode ir via Dubai, Doha, Istambul ou Joanesburgo.)
Com voos longos e o fuso horário puxado, chegamos ao hotel em Arusha por volta das 4h da manhã. Fizemos o check-in e fomos direto descansar, para tomar café algumas horas depois e, teoricamente, aproveitar esse dia para repor as energias antes dos safáris. Máááás… bom viajante que somos, depois de um longo e ótimo café da manhã, organizamos um tour pela cidade. As primeiras impressões foram ótimas: visitamos um centro de artesanato local belíssimo, com várias opções de Tanzanita (a valiosa pedra local), além de uma galeria de arte e patrimônio cultural.
De volta ao hotel por volta das 17h, já começamos a degustar as primeiras cervejas locais.
Na manhã seguinte, às 8h em ponto, de check-out feito, iniciamos nossa aventura rumo à Cratera Ngorongoro, com uma parada no Lake Manyara.
O Parque Nacional do Lago Manyara tem uma área total de 325 km², sendo 230 km² apenas da superfície do lago. Raso e alcalino, ele faz parte da Reserva da Biosfera estabelecida pela UNESCO. Ali, tivemos um aperitivo de como seriam os próximos dias. E já confesso: estar frente a frente com uma manada de elefantes fez o coração acelerar.


Após um almoço saboroso em um hotel próximo ao lago, seguimos para a famosa Cratera Ngorongoro. Chegamos no final da tarde e a recepção da equipe do hotel foi sensacional definitivamente, o povo mais acolhedor e alegre que já tive o prazer de conhecer.
Apelidamos carinhosamente nosso game driver de Mau Mau sujeito simpático, de riso fácil e mais de 30 anos de experiência. Enquanto degustávamos um vinho antes do jantar, ele discretamente me chamou:
“Hey, João, vamos sair bem cedinho amanhã pra ver vários animais. Pode ser?”
“Claro que sim, Mau Mau!”
Nosso safári começou por volta das 6h da manhã.
A Cratera Ngorongoro é uma das maiores atrações da Tanzânia. Considerada a Arca de Noé da África Oriental, abriga praticamente todas as espécies animais da região, em um ecossistema ainda intocado. Do alto das suas falésias ou no fundo da cratera, o cenário é fascinante. Passamos o dia ali, avistando hipopótamos, elefantes, leões, zebras, gnus e até um rinoceronte. Em um momento marcante, ficamos cerca de 45 minutos observando algumas leoas em busca de alimento, um verdadeiro National Geographic diante dos olhos.




O dia foi incrível, e a volta ao hotel, ainda mais. Comemoramos o aniversário da Tia Lú com jantar delicioso, vinhos e uma apresentação vibrante da equipe do hotel, ao som de “Jambo Jambo”! Naquele momento, uma mistura de emoções tomava conta: gratidão, alegria, encantamento. A África já havia nos dado uma aula e o coração estava pronto para o que ainda viria.
Fiquei impressionado com o volume de turistas do mundo inteiro. Europeus, americanos e asiáticos em busca de aventura e conexão com a natureza. A Tanzânia, de fato, está em alta.
E a cereja do bolo ainda estava por vir: o majestoso Parque Nacional do Serengeti uma das 7 maravilhas da África. Com mais de 1 milhão de hectares, ele se estende pela magnífica savana africana. Logo após cruzar o portão de entrada, nosso guia parou o carro e, ali na sombra de uma árvore, estava ele: o rei da savana, o leão, exibindo sua beleza e imponência.
Ficamos hospedados por três noites no Meliá Serengeti excelente localização e uma arquitetura que se integra lindamente ao parque.





No primeiro dia completo no Serengeti, acordamos cedo para um safári de balão. Sim, fazer safári exige disposição! Do hotel ao ponto de decolagem foram 1h30, que já virou safári: encontramos um grupo de leoas logo na estrada, ao lado do carro. Em um momento inesquecível, abaixei o vidro e fiquei cara a cara com uma delas. O coração disparou e até o frio desapareceu.
O voo de balão foi incrível. Brindamos com mimosa e tomamos café da manhã ali mesmo, no meio da savana. O dia todo foi dedicado ao safári. Já havíamos visto quatro dos big five faltava apenas o leopardo, o mais arisco. Por volta das 16h, a caminho do hotel, nosso guia recebeu um chamado no rádio:
“Avistaram um leopardo a 30 minutos daqui. Vocês topam ir?”
Unânime: sim!
E lá estava ele, imponente, caminhando entre as árvores. Chegamos no hotel já eram 20h, exaustos, mas em êxtase com o dia vivido.
O dia seguinte trouxe novas emoções: vimos mais de 3 mil zebras, e uma manada gigante de elefantes um deles se aproximou perigosamente do nosso carro. Confesso que deu medo.
Pouco antes do almoço, estávamos observando alguns búfalos (dos animais mais perigosos da savana) quando o rádio apitou:
“Sit, guys, sit! Lions, lions!” — Mau Mau avisou.
Em menos de cinco minutos, avistamos uma leoa e seu filhote e, em seguida, cerca de 35 leoas se reunindo. Uma delas havia acabado de caçar uma zebra e chamou o bando para compartilhar a refeição. Observamos em silêncio, impressionados com a força e a lógica da natureza. Vida e morte ali andam lado a lado, num ciclo brutal e fascinante.
Aquela cena pagou a viagem.




E, como se fosse pouco, no caminho ao aeroporto, no dia seguinte, presenciamos uma cena raríssima: uma leoa carregando na boca seu filhote de apenas três dias. Ela os muda de lugar a cada quatro dias para protegê-los de predadores. Não tirei fotos nem filmei não quis abrir mão de nenhum segundo daquele momento. Quis guardar nos olhos, no peito, na alma.
Bem-vindo à savana africana.
Para fechar com chave de ouro, pegamos um voo direto do Serengeti para Zanzibar, onde curtimos quatro noites de descanso no azul hipnotizante do Oceano Índico.
Zanzibar é um arquipélago na costa da Tanzânia. Em sua ilha principal, Unguja (também chamada de Zanzibar), fica a Cidade de Pedra, centro histórico com influências suaílis e islâmicas. As vilas de Nungwi e Kendwa, ao norte, têm praias extensas e são cheias de turistas do mundo inteiro. Destaque para o nosso hotel Meliá, com sistema all inclusive, um belo passeio de catamarã e um mergulho a 20 metros de profundidade.
Se você está pronto para visitar a Tanzânia, eu não sei te dizer. Mas de uma coisa eu tenho certeza: a savana africana está te esperando seja para te intimidar ou para te ensinar.
Hakuna Matata.
Abraços, João Guilherme.






